Durante a guerra, Saint-Exupéry precisou viver longe de sua terra, na América do Norte.
Mesmo em meio às dores da vida e ao corpo cansado, foi lá que ele escreveu as histórias
pelas quais seria lembrado. Entre elas, a de um pequeno príncipe que fala de amizade, amor e perda,
nascido das lembranças do autor, quando seu avião caiu no deserto. Inspirado por essas experiências,
ele desenhou e escreveu um livro que atravessou fronteiras: já foi traduzido em mais de duzentos
idiomas e dialetos. E as ilustrações que o acompanham também são suas, como se o próprio autor
tivesse sonhado e dado forma ao menino que tanto nos ensina.
A historia começa quando...
Um piloto cai com seu avião no silêncio do deserto e, ali, encontra um menino vindo
de um pequeno asteroide chamado B-612. O príncipe conta suas viagens por outros mundos, onde conheceu
um rei solitário, um geógrafo distante e tantas outras figuras que lembram os modos dos adultos.
Com a raposa, ele descobre o segredo dos laços: que cativar é criar responsabilidades,
e que só se vê bem com o coração.
Sua história é uma fábula suave sobre a infância que se perde,
mas também sobre a amizade, o amor e aquilo que dá sentido à vida.
A primeira obra publicada de Saint-Exupéry foi L’Aviateur, nascida de um manuscrito maior,
perdido, chamado A Fuga de Jacques Bernis. O texto apareceu em 1926, quando o autor o reescreveu de memória,
e foi publicado na revista francesa Le Navire d’Argent. Ali, ele já começava a transformar sua experiência
como aviador em literatura.
A história acompanha Jacques Bernis, um jovem piloto que descobre o céu em seus primeiros voos,
ensina outros a voar e encontra seu destino em um último voo trágico. Ainda em seu início literário,
Saint-Exupéry usava imagens vívidas para dar vida ao ar e à máquina: a grama que parecia fluir sob o sopro da hélice,
ou o capô do avião que se apoiava, pesado, contra o céu.
Esse pequeno conto já anunciava o estilo lírico e evocativo que, mais tarde, daria ao mundo a ternura e
a poesia de O Pequeno Príncipe.
A historia começa quando...
Habitamos um planeta errante.” Saint-Exupéry, que acaba de ser nomeado piloto de avião,
descobre, admira, medita sobre o nosso planeta. Agora fornecendo correio entre Toulouse e Dakar,
herda uma grande responsabilidade para com as pessoas, mas sobretudo para consigo mesmo e para a
sua relação com o mundo. Ao saborear “a polpa amarga das noites de voo”, aprende a habitar
o planeta e a condição do homem, lê o seu caminho interior através das estrelas.
Além da linguagem universal, ele também desfruta todos os dias da fraternidade que o
liga aos seus companheiros do céu. Ele presta homenagem a Mermoz ou Guillaumet, a quem o
romance é dedicado, e cujas famosas palavras recorda: “O que eu fiz, juro, nenhum animal
jamais teria feito”. Marie Christine Barrault nos conduz com sensibilidade pelas diferentes
histórias de Terre des hommes. A clareza da sua voz, a densidade da sua leitura destacam
admiravelmente as reflexões de Saint-Exupéry sobre a amizade, a morte, o heroísmo e a busca de sentido.
Em 1942, durante seu exílio nos Estados Unidos, Antoine de Saint-Exupéry escreve Carta a um refém.
Sob a forma de uma carta enviada a um amigo que permanecia na França ocupada, perseguido e impossibilitado
de partir, o texto é ao mesmo tempo um gesto de amizade e uma homenagem à sua pátria ferida.
A origem da obra remonta ao pedido de seu amigo Léon Werth, que confiara a Saint-Exupéry o
manuscrito de Trinta e três dias, escrito após o êxodo da guerra. O autor, que deveria apenas redigir
um prefácio, acabou transformando-o em um texto independente. Primeiro chamado Carta a um amigo, depois
Carta a Léon Werth, tornou-se enfim Carta a um refém — uma meditação sobre a França que sofria sob a ocupação alemã.
Publicado em junho de 1943, em Nova York, pela editora Brentano’s, o texto acompanhou o autor
em sua travessia para a África do Norte. No ano seguinte, apareceu em Argel e, finalmente, em dezembro de 1944,
foi lançado pela editora Gallimard na França liberta. Assim, a carta que nasceu da dor do exílio e da amizade
atravessou fronteiras e tempos, como um testemunho da esperança guardada em meio à guerra.
Correio Sul é o primeiro romance de Antoine de Saint-Exupéry,
o mesmo que nos deu o pequeno príncipe. Nesta história, o autor nos leva aos céus,
mostrando a vida dos primeiros aviadores que levavam cartas de um continente a outro,
enfrentando o vento, o sol e a solidão.
Jacques Bernis, o piloto solitário, sente o peso da rotina e da monotonia enquanto
voa para abrir uma rota entre a Europa e o sul da África. Aos poucos, os dramas de sua
vida se misturam ao céu que atravessa, e ele já não sabe se sobrevoa o deserto ou as
lembranças que carrega no coração.
Lançado em 1929, o romance conquistou elogios da imprensa da época e continua encantando leitores,
não apenas pela aventura, mas pelo modo livre e poético com que Saint-Exupéry transforma cada voo em uma
reflexão sobre o homem, a solidão e a coragem.ado em 1929, o romance de estreia de Saint-Exupéry recebeu
elogios da crítica e segue encantando leitores, pela liberdade do estilo e pela forma única de
transformar a solidão e o risco em poesia.
Em Cidadela, Saint-Exupéry cria uma obra profunda, quase como um mapa do coração humano.
Embora inacabada, reúne pensamentos sobre o homem e o espírito, sobre a vida, o sentido das coisas e o elo que nos une a Deus.
Ele distingue dois mundos: o mundo da carne, passageiro e confuso, e o mundo do espírito,
que nos conduz ao divino. A vida, para ele, é um esforço de transformar a matéria bruta em
algo que tenha significado, como tijolos que se tornam catedrais. A grandeza de um homem mede-se pela capacidade de dar sentido
à existência e de buscar o que é eterno.
Inspirado por sua experiência e por longas reflexões, Saint-Exupéry fala sobre a responsabilidade do líder,
a força da colaboração, o valor do trabalho e a construção de civilizações. Sua escrita é poesia: mistura o sagrado,
a melancolia e o lírico, e transforma o pensamento em parábolas — “forjar o homem”, “o guardião de meus rebanhos”,
“o templo que existe em cada pedra”, “o tesouro que primeiro é invisível”.
Cidadela reúne a mensagem humanista e espiritual de Saint-Exupéry: dar sentido ao homem e construir a
cidadela no coração de cada um. Como disse Pierre Chevrier, ele queria deixar aos homens uma “bíblia” que
fosse também um “poema”, um canto lírico que atravessa o tempo e inspira a alma.
Na Aéropostale, os voos noturnos surgiram para que o correio chegasse mais rápido, mas exigiam coragem e disciplina.
Rivière, responsável pela linha, impunha aos pilotos que enfrentassem tempestades e o medo,
lembrando que a missão era maior que qualquer fraqueza individual.
Fabien, perdido nas nuvens sobre a Patagônia, luta contra a tempestade e a morte, guiado
pelo dever que dá sentido à sua vida. Cada raio, cada turbulência se torna parte de uma vitória silenciosa,
conquistada com coragem e sofrimento.
Em Buenos Aires, Rivière aguarda notícias, pensa na esposa de Fabien e mantém a operação.
Sabe que, mesmo diante do perigo e da perda, o cumprimento da missão preserva a razão dos voos noturnos.
Assim, coragem, dever e sacrifício se tornam uma vitória que se mede no coração daqueles que acreditam no que fazem.
Durante a guerra, Saint-Exupéry voava em missões quase impossíveis, como fotografar
a região de Arras, onde sobreviver já era um milagre. Do alto, via cidades queimadas,
refugiados em marcha e a lógica implacável da destruição. A guerra parecia absurda: homens sacrificados como um
copo d’água lançado contra um incêndio.
No frio da altitude, lembrava-se de amigos feridos, de sua governanta distante, de seu irmão doente.
Em meio ao perigo, descobria que o homem não se pertence; é forjado pelo que enfrenta. A cada explosão,
a alegria de estar vivo se renovava, como se a vida fosse nascer lentamente, instante após instante.
De volta à base, sabia que a derrota era certa, mas também que dela poderiam nascer novas sementes.
Preservar a França era preservar o Homem, a civilização feita de laços e de sentido. Pois no fim, é sempre o
Homem — frágil e essencial — que precisa ser restaurado.
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Antoine de Saint-Exupéry
Havia, em Lyon, um menino nascido em 29 de junho de 1900.
Seu nome era Antoine de Saint-Exupéry.
Ele era filho de uma família antiga, mas cedo conheceu a
ausência: perdeu o pai quando ainda era pequeno, e sua mãe, Marie,
cuidou dele e de seus irmãos com coragem e ternura.
Antoine gostava de imaginar. Gostava de olhar para o céu.
E foi no céu que encontrou seu maior desejo: voar.
Um dia, em 1912, durante as férias, fez seu primeiro voo
com um piloto. Era como se tivesse descoberto o lugar de
onde viera.
Mas a vida, como as tempestades do deserto, nunca foi simples.
O jovem piloto sofreu quedas, acidentes, dores.
Teve sonhos interrompidos, projetos negados, amores que se
desfizeram. Mesmo assim, nunca deixou de levantar voo outra vez.
Ele trabalhou como carteiro do céu, levando cartas em aviões frágeis,
atravessando desertos e mares. Em Cabo Juby e na Argentina,
aprendeu que voar não era apenas atravessar distâncias,
mas também encontrar pessoas, libertar amigos em perigo e escrever histórias.
Com o tempo, Antoine descobriu que seu dom não estava apenas nas asas do avião,
mas também nas asas das palavras. Escreveu sobre o que viveu, sobre os perigos,
sobre a coragem, sobre o silêncio do deserto e o mistério do coração humano.
Assim nasceram livros como Voo Noturno e Terra dos Homens.
Mas foi quando deu vida a um pequeno príncipe — um menino vindo de outro
planeta, que falava de amizade, de amor e de responsabilidade — que
Antoine tocou o mundo inteiro.
Durante a guerra, voltou a voar, mesmo quando já não precisava.
Seu avião desapareceu em 31 de julho de 1944, e nunca mais voltou.
Alguns dizem que ele caiu no mar. Outros preferem acreditar que apenas
regressou ao seu planeta, como o Pequeno Príncipe.
O que ficou foi sua voz: simples, doce, cheia de perguntas.
Em cada livro, ele lembrava que o essencial não se vê com os olhos,
mas com o coração.
Algumas das belas e poéticas frases que Saint-Exupéry deixou para o mundo em seus contos e livros: